Início home Sobre home Pesquisas home índice home Colaboradores home Eventos home Buscar
s Fundamentos   Teses
» Design Industrial e Diversidade Cultural
 
As pessoas têm participado da construção do mundo material, por meio de sua capacidade de criar, reproduzir e transformar artefatos e sistemas tangíveis e intangíveis. Estes, por sua vez, têm influenciado seu desenvolvimento físico e espiritual, suas práticas e relações sociais.

O design representa um papel relevante no desenvolvimento da cultura material, na medida em que abrange atividades de planejamento, decisões e práticas, que afetam direta e indiretamente a vida das pessoas, inclusive a do próprio designer, que é, ao mesmo tempo, sujeito e objeto da dinâmica cultural, conforme sustenta Bonsiepe (1988).

Ao longo de sua história, a área de design tem abrigado vários movimentos, na teoria e na prática, alguns mais e outros menos voltados a abordagens universalistas e particularistas, os quais têm influenciado o desenvolvimento de artefatos para a sociedade.

No início do século 21, presenciamos uma multiplicidade e velocidade cada vez maior no desenvolvimento e lançamento de artefatos nos vários mercados do mundo, no seio do processo de globalização, que se acentuou notavelmente a partir da última década do século XX e tem promovido a homogeneização dos meios de produção, a expansão de grandes corporações multinacionais em mercados nacionais e regionais, trazendo implicações significativas à cultura e à vida das pessoas.

Há divergências quanto aos significados, tendências e conseqüências da globalização, que compreendem, inclusive, a visão de que este processo constitui um agente de integração e homogeneização do mundo, convergindo com o pensamento de alguns teóricos, a exemplo de Levitt (1990), que crêem que, no futuro, somente as empresas globais sobreviverão, estando as empresas nacionais e multinacionais com seus dias contados.

Entretanto, a globalização não significa, necessariamente, como sustenta Lorenz (1992), dentre outros, a padronização das necessidades e anseios das pessoas do mundo todo. E, embora promova a padronização e a homogeneização, tem certos limites.

A busca do monitoramento e controle dos desejos dos indivíduos e grupos sociais constitui uma das estratégias adotadas para a ampliação e domínio de mercados. No entanto, a industrialização e a globalização de mercados não devem conduzir à padronização global do design, em vista de barreiras impostas pela diversidade cultural e, como argumenta Beck (1991), pela resistência das pessoas ao processo de massificação dos produtos.

O processo de globalização reflete a natureza essencialmente paradoxal do ser humano e da sociedade, que desenvolvem forças contraditórias: umas tendendo à divergência e à particularização, e outras à convergência e à afinidade, conforme o entendimento de Lévi-Strauss (1970).

Realidade emergente ou utopia, o processo de globalização tem modificado significativamente a composição de objetos e referências de tempo e espaço, como observa Milton Santos (1997), redimensionando a percepção do presente e passado, do local e global, do concreto e virtual, da velocidade e duração dos eventos, dentre tantos outros aspectos que norteiam a existência das pessoas no mundo. E a possibilidade de conformação de um mercado global exige a compreensão das profundas implicações decorrentes de tal política econômica na cultura material e no desenvolvimento da sociedade, e um melhor entendimento sobre o papel do designer, diante da questão da diversidade cultural, no desenvolvimento de artefatos.

A questão de identidade, no âmbito do design, independentemente de sua origem, não cabe em conceitos herméticos e absolutos, fronteiras, legitimidades e parâmetros fixos, em vista de sua natureza complexa e dinâmica.

A coexistência de diretrizes gerais e específicas no design industrial reflete o caráter ambíguo desta atividade e geram pressões constantes junto aos designers, que necessitam desenvolver propostas industrialmente factíveis e economicamente viáveis, e, ao mesmo tempo, cumprir o papel fundamental de desenvolver produtos que atendam os requisitos simbólicos, de uso e técnicos das pessoas, contribuindo para o seu desenvolvimento, bem-estar e para a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral.

No seio desta problemática, insere-se esta pesquisa, que salienta a importância essencial da sintonia entre o design industrial e a diversidade cultural.

Estudos de casos, tais como os desenvolvidos por Ono (1999; 2004), nos setores industriais: automobilístico e eletrodoméstico, contribuem na identificação de requisitos simbólicos, de uso e técnicos que variam entre culturas distintas e precisam ser considerados no desenvolvimento de produtos para a sociedade, bem como na discussão acerca de como tem se desenvolvido a prática do design industrial, diante da questão da diversidade cultural.

Os estudos de casos focalizam o Brasil, país pertencente aos denominados “de Terceiro Mundo”, “em desenvolvimento” e “periféricos”, e onde o processo de globalização tem ocorrido de modo complexo, desigual e contraditório, coexistindo com a dinâmica de diversidade e hibridismo cultural. Em tal cenário, a questão das dimensões “local” e “global” é determinante na prática do design industrial, no que tange ao atendimento das necessidades da sociedade.

Os setores industriais apresentados nesta mídia digital têm exercido um papel social e econômico relevante, e representam referências importantes no ensino, na implantação e na prática do design no Brasil.

Muitas das empresas atuantes no país encontram-se vinculadas a grandes corporações multinacionais, como ocorre nos setores automobilístico e de eletrodomésticos. Neste contexto, a questão da diversidade cultural tem sido crucial no design de produtos, que se encontra, por um lado, atrelado a determinadas diretrizes corporativas que buscam a racionalização da produção, mediante a padronização e intercâmbio de produtos e componentes globais, e que, por outro lado, se depara com a necessidade de diferenciação dos produtos para o atendimento de requisitos específicos dos indivíduos e grupos sociais.

O povo brasileiro vem sendo amalgamado desde o período de colonização, e sofrido influências de diversas etnias que adentraram no país, resultando em um contexto de diversidade e hibridismo cultural.

Percebe-se uma supervalorização do estrangeiro – de países centrais - por parte deste povo, como salienta Caldas (1997), dentre outros, e a mania que as pessoas têm de acreditar que as coisas que vêm de fora são melhores, conceito que se manifesta mesmo dentro do próprio país, entre regiões consideradas mais e menos desenvolvidas.
 capítulo anterior PÁGINA 01 próxima página  
  nível acima
nível acima
 
anterior
anterior
próxima
próxima
Esta página: 01/02  
  pdf Aumentar fonte  
  pdf Diminuir fonte  
Capítulo  
  pdf Versão em PDF  
Modo de leitura  
  Para tela cheia modo leitura  
veja também:
Ícone Automobilístico Setor Automobilístico
Ícone Eletrodoméstico Setor Eletrodoméstico
Ícone Eletrodoméstico Setor Moveleiro
Todos os direitos reservados - Copyright © Maristela Mitsuko Ono 2004 / 2007 / 2009.